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Capítulo 1: Eu, Eu mesmo e Nhanderecó.

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Tudo estava indo tranquilo, estava na direção de Huelva e de lá seguiria mais pelo “meio” do mapa para Sevilha e não pela costa, só que, claro, mudei de ideia e paguei por isso. Não que tenha sido ruim, mas foi bem exaustivo! Fui seguindo debaixo do nosso amigo sol - O Onipotente - e ouvindo meu mp3, eis que começa a tocar o album “Chão”, do Lenine. Cara, que brisa! Pegue um fone de ouvido, vá a algum lugar calmo ou em meio a natureza e ouça o álbum inteiro na íntegra, que genialidade! E eu brisando com todos aqueles efeitos sonoros e letras poéticas enquanto pedalava, nem percebia que estava pedalando, me sentia leve e livre. Voando.

“Em tempos de tempestades. Diversas adversidades. Eu me equilibro, e requebro... É que eu sou tal qual a vara. Bamba de bambu-taquara. Eu envergo, mas não quebro.” Envergo Mas Não Quebro - Chão, Lenine.


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No caminho para Sevilla resolvi pegar um trajeto mais rápido - de acordo com o mapa - o que sujeitaria minha pessoa a seguir por uns 10km de estrada de terra (tudo para chegar mais rápido e fugir do sol), mas essa pressa quase me causou um grande problema dessa vez. Fui seguindo pelo caminho de terra, até que ia bem tranquilo, nada tão ruim como havia imaginado, mas eis que a merda acontece. Seguindo pela terra, já quase no trecho final, logo a frente eu avisto um leve declínio que estava cimentado e havia água, que vinha da montanha ao lado, escorrendo pela perpendicular, e foi exatamente nesse trecho cimentado com água escor- rendo que fui pro chão, assim, literalmente! De cara no chão! Parecia uma pamonha espatifada! Sim, caí da bicicleta. Coisa que não havia acontecido ainda na viagem, não desta forma. Creio que pelo fato de ter aquele fio d’água passando naquela parte constante- mente, mesmo que em pouca quantidade, juntou algum tipo de limo e o lugar e ficou escorregadio, eu nem reparei em nada e estava seguindo bem e tranquilo, descendo, ainda bem que vinha devagar e o tombo não foi tão forte. Resultado, pneu da frente escorregou, e quando o pneu da frente escorrega, meu amigo, santo nenhum segura, adiciona isso a uma bicicleta com peso bem acima dos padrões e terás uma pamonha caindo no chão, nesse caso a pamonha era eu. Fui pro chão, e a primeira coisa que bati foi a mão, pois involuntariamente você estende a mão e vai rolando sem rumo em seguida. Caí e já fui levantando, levantei tão rápido no susto que nem parecia que tinha caído... - Não! Não! Não quebrou nada, não quebrou nada... - Repetia comigo mesmo enquanto levantava e olhava para Nhanderecó. Sim, eu estava mais preocupado com a bicicleta do que comigo mesmo.

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Cheguei lá bem cansado, o sol mais uma vez torturando e marcando presença, e com a queda meu corpo tinha acumulado mais um tipo de dor que comecei a sentir mais forte depois do banho e ao acordar no dia seguinte. Fui direto para o endereço do AirBnb que havia alugado, precisava de uma cama, e para uma cidade como Sevilla, precisava tam- bém de tempo para desfrutá-la melhor! E fiquei por lá de sexta-feira até segunda-feira de manhã!

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Fui andando e acabei em frente de um lugar chamado de Metropol Parasol, que é uma construção de madeira bem moderna que fica numa outra zona antiga da cidade, dando aquele contraste entre o velho e o novo que me enchia os olhos!

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No sábado - dia 16 - saí para um passeio com a Nhanderecó, dei uma bela volta pela cidade e me diverti sozinho pedalando sem rumo pra lá e pra cá. No começo já me vislumbrei com a maravilhosa Plaza España, um lugar poético e de beleza ímpar! Depois, ao lado, o lindíssimo parque María Luisa, que era parte dos jardins do Palácio de San Telmo, que também é ali próximo, que os duques de Montpensier ofereceram à cidade e daí a dedicatória a Infanta María Luisa, filha do rei D. Fernando e María Cristina.

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Entrando de volta na parte antiga e histórica da cidade, parei na Plaza de Toros para uma visita.

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Foi um pouco difícil sair de Sevilha, o GPS me deslocava para muito longe, me fazia dar uma super volta para chegar onde eu queria, estranho... estranho também era o mal pressentimento que pairava no ar, sei lá, não me sentia bem, estava com uma intuição que o dia não seria dos melhores. Muitos coelhos mortos pela estrada e girassóis murchos nos campos laterais, nada motivador...


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El Chorro, que eu não tinha em planos passar, aliás, nem sabia que existia tal lugar! Foi o Jorge (Ror-rrê), amigo de Jesus (Rê-sus), lá de Sevilha, que havia me indicado o local, e foi uma ótima surpresa, apesar de a principal atração, El Camiñito Del Rey - que é tipo uma ponte suspensa, bem assustadora, onde você vai caminhando beirando a montanha - estar fechada para manutenção, é, dei azar nessa. Mesmo assim peguei a Nhanderecó e saí para explorar o local, subindo a montanha e me divertindo sozinho mesmo, aliás, bem sozinho, não havia uma alma por perto! Fiquei nadando e boiando num lindo lago que lá se encontra. Lugar muito recomendado!

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Desci montanha abaixo de volta à estação de El Chorro para pegar o trem direto pra Ronda. Uma estaçãozinha bem simples, não tinha ninguém lá, só minha pessoa solitária sentado numa cadeira e mesa de plástico escrevendo sobre o dia anterior que o senhor, caro leitor, acabara de ler. O trem chegou, comprei o bilhete dentro dele, pois não havia bilheteria na “estação” e segui até Ronda de trenzinho. Viajar assim era uma beleza. Pelo caminho percebia que a vegetação estava bem árida, um clima quente e muito seco, muita poeira no ar, também reparei na quantidade de monta- nhas que haviam naquela região e passavam pela janela, de todos tamanhos e alturas! Me safei dessas!


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Cheguei em Ronda por volta das 13h e o trem partiria de volta às 16h50, portanto eu teria tempo suficiente para uma volta pela bela e desconhecida (por mim) cidadezinha. Minha tarde lá foi basicamente uma volta pela parte antiga da cidade. Em Ronda se encontra a mais antiga, ou uma das mais antigas, Plaza de Toros da Espanha (quiçá do mundo!), e também uma ponte linda, enorme e muito antiga que liga a parte nova à parte antiga da cidade.


Málaga → Torre del Mar → Granada

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Já em Granada era hora de ir visitar a Alhambra. Acordei sem pressa e como tinha perdido o horário para o café da manhã do hostel, tive que preparar algo eu mesmo, ovos mexidos com bacon e presunto e mandei guela abaixo. Me juntei ao Jasmin e seguimos caminhando para Alhambra, o grande lugar a ser visitado em Granada! Chegamos num horário não dos melhores. Fila! O passeio foi aquele negócio bem turístico, cheio de gente, grupos asiáticos seguindo guias turísticos por toda parte, e dessa vez algo novo em relação a turistas clichês como os asiáticos, havia muitos árabes também, o que fazia sentido por onde eu estava. Lugar realmente muito bonito e cheio de história, um pedaço da parte rica da Arábia ali na Europa.

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E já que estava por perto aproveitei para ir visitar as montanhas de Sierra Nevada, que fica nos arredores de Granada, uns 40km de carro. E como era baixa temporada, já que a temporada de ski é no inverno, só havia um ônibus que ia e um outro que voltava por dia, saía as 9h e voltava as 17h. E como esperado, quando chegamos lá parecia uma cidade fantasma, tudo fechado. No inverno aquilo deve ser um formigueiro. Pegamos algumas informações num hostel-escritório que tem lá, comprei um lanche pra levar na caminhada e seguimos o rumo da roça em direção ao pico da Veleta, que está a 3395 metros de altura em relação ao mar, já estávamos a 2400 metros de altura, portanto era subir mais uns 900 metros caminhando. No começo, vendo o pico de longe, achei que não demoraria as 3 horas estipuladas no mapa para alcançar o topo do pico, se fosse linha reta realmente faríamos em menos tempo, mas era um sobe e desce interminável que demorou as 3 horas certinhas para subir até lá e mais 3 horas pra voltar.


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